Este grupo destina-se a discutir e compartilhar experiencias no campo da neurociencia aplicada à liderança. Questões como regulação emocional, neurocomunicação, neuroaprendizado e seus derivados. Um espaço dedicado a torcar idéias, experiencias e informações a respeito do assunto.
Eu tenho perguntado a todos os diretores, gerentes e consultores de RH se é importante formar lideres... Todos respondem que sim... Daí eu pergunto se sabem como formar lideres e a resposta unanime é não. Então, como resolver essa charada? Olha, eu trabalho com isso desde sempre... E descobri algumas coisas que me ajudam bastante. Vou dar 7 dicas aqui... Dicas, que, diga-se de passagem, são testadas e comprovadas... Mas a lista é bem mais longa. Antes de tudo, estabelecendo o contexto. Se você for um formador de lideres, se tiver essa tarefa entre suas obrigações profissionais, você é um líder. Reflita sobre essas dicas e aplique-as, em você e nos seus liderados – futuros líderes. Vamos a elas: 1) Liderança é superavaliada! Não basta ter uma idéia brilhante, ter boas intenções e comunicar sua missão... Um líder se faz com seguidores! Portanto primeiro trabalho de um líder: identificar, motivar e acolher, como iguais, a seus seguidores. Esses primeiros seguidores são seu mais precioso tesouro! E eles fazem o trabalho de liderança. 2) A liderança acontece dentro da sua cabeça... É a sua idéia que se torna no objeto do seguimento pelo liderado... Mas seu cérebro, berço da idéia, é diferente de cada um dos cérebros de seus liderados. Portanto, não adianta dizer o que eles têm que fazer... O líder tem que ensinar a pensar. Mais ainda, o líder tem que ensinar a pensar em grupo, coletivamente. Pasme... Seus liderados não o seguem pela SUA idéia... Eles o seguem pela idéia DELES a respeito da sua idéia... 3) Habilidades de comunicação são importantes, mas cuidado! Não adianta comunicar e achar que tudo vai funcionar do jeito que você está imaginando. Não vai! É igual ao budget de sua empresa. No final, a única coisa que não aconteceu é o que está no plano! Saber disso é essencial! Tratar disso é fundamental! 4) Todos nós acreditamos que tomamos nossas decisões baseados em nosso livre arbítrio. O duro é que existe um tipo de memória (são várias nossas memórias, sim...), denominada memória não descritiva procedural, que meio que limita a gente, se a gente não atentar para isso. Nosso livre arbítrio não é livre, é condicionado! Um líder deve saber disso e saber como mudar esse fato! 5) Nosso cérebro, assim como o de nossos liderados, tem uma zona ótima de operação que é quando os neuro transmissores - só como referencia eles são denominados de catecolaminas - estão em um certo nível. Essa zona é chamada de zona de fluxo. Um líder deve ser capaz de identificar quando ele deve colocar uma pressão para aumentar o nível de catecolaminas de seus liderados e deve saber quando parar... Porque a ciência prova que se aumentar demais esse nível de pressão, espana... E espana mesmo. Diga-se de passagem, esse é um ponto identificado de diferença entre o desempenho do cérebro masculino e o feminino. Na mulher, a presença de estrogênio no período de ovulação aumenta o nível das catecolaminas. Com isso, mulheres que tem excelente desempenho normalmente, nesse período se apresentam realmente estressadas. Um líder tem que entender que homens funcionam melhor (quase mesmo que precisam para funcionar) com certo nível de pressão, mas mulheres funcionam melhor com aceitação. E não é por machismo. É fisiológico. 6) As decisões de um líder são sempre racionais, certo? Errado! A maior parte de nossas decisões é tomada por nosso cérebro emocional. Conhecer nossas emoções é trabalho sério e extremamente sutil. A situação aqui é como quem começa a beber vinho. No começo a gente só sabe que o vinho é seco, doce ou rascante. Só com prática e aprendizado a gente começa a distinguir entre amadeirados, frutados, taninos e outras tantas infinitas sutilezas. As nossas emoções são assim também! Saber que seu liderado está não está aborrecido e sim triste, pode fazer toda a diferença na forma de tratamento. Entender, como líder, que o seu estado emocional interfere com sua comunicação aos liderados permite escolher o melhor momento e a melhor forma de comunicar! 7) Feedback é importante, mas cuidado, muito cuidado! Todos nós tratamos as ameaças modernas – que são muito mais sociais e intelectuais que físicas – com os mesmos circuitos mentais, emocionais e fisiológicos dos nossos antepassados macacos. Nossa interação social evoluiu, mas a forma que trabalhamos essas interações é basicamente a mesma que o “homus erectus” tratava seus pares. Rejeição causa dor! Incerteza causa medo! Injustiça causa nojo! E as pessoas respondem por esses sentimentos, pura e simplesmente! Enfim, existem muitas outras coisas que poderiam ser tratadas. Mas fica a dica fundamental: Liderança é arte e ciência! Se você quer tocar piano profissionalmente tem que praticar oito horas por dia, todo dia. Se praticar só seis, talvez você não perceba a diferença, mas a audiência percebe! Se tiver talento natural, bom ouvido e aptidão, com treino será um virtuose. Mas mesmo se não tiver, treine! Pratique! Estude! Busque! Os aplausos finais irão valer a pena!